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Dificuldade: fácil
Parte A:
NUNO ÁLVARES PEREIRA
Que auréola¹ te cerca?
É a espada que, volteando,
Faz que o ar alto² perca
Seu azul negro e brando.
Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo³ no céu?
É Excalibur⁴, a ungida⁵,
Que o Rei Artur te deu.
'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver!
Fonte:

Fernando Pessoa, Mensagem e Outros Poemas Sobre Portugal, edição de Fernando Cabral Martins e Richard Zenith, Lisboa, Assírio & Alvim, 2014, p. 81.

Notas:

1 auréola – efeito luminoso, habitualmente em forma de círculo, que paira sobre a cabeça dos santos.2 ar alto – céu.3 halo – círculo luminoso; prestígio; glória.4 Excalibur – nome da espada do Rei Artur; espada sagrada, com poder indestrutível, que só os puros de coração podiam empunhar para a defesa do bem.5 ungida – abençoada; sagrada.

Parte B:

Contexto:

Contextualização
As estâncias 15 a 18 do Canto IV de Os Lusíadas, abaixo transcritas, integram o plano da História de Portugal, quando Vasco da Gama narra ao rei de Melinde o discurso de Nuno Álvares Pereira, proferido antes da Batalha de Aljubarrota, que opôs os Portugueses aos Castelhanos.


Est. 15
«Como? Da gente ilustre Portuguesa
Há de haver quem refuse o pátrio Marte¹?
Como? Desta província, que princesa
Foi das gentes na guerra em toda parte,
Há de sair quem negue ter defesa?
Quem negue a Fé, o amor, o esforço e arte
De Português, e por nenhum respeito
O próprio Reino queira ver sujeito?
Est. 16
«Como? Não sois vós inda os descendentes
Daqueles que, debaixo da bandeira
Do grande Henriques², feros e valentes,
Vencestes esta gente tão guerreira,
Quando tantas bandeiras, tantas gentes
Puseram em fugida, de maneira
Que sete ilustres Condes lhe trouxeram
Presos, afora a presa que tiveram?
Est. 17
«Com quem foram contino sopeados³
Estes, de quem o estais agora vós,
Por Dinis e seu filho sublimados,
Senão cos vossos fortes pais e avôs?
Pois se, com seus descuidos ou pecados,
Fernando em tal fraqueza assim vos pôs,
Torne-vos vossas forças o Rei novo⁴,
Se é certo que co Rei se muda o povo.
Est. 18
«Rei tendes tal que, se o valor tiverdes
Igual ao Rei que agora alevantastes,
Desbaratareis tudo o que quiserdes,
Quanto mais a quem já desbaratastes.
E se com isto, enfim, vos não moverdes
Do penetrante medo que tomastes,
Atai as mãos a vosso vão receio⁵,
Que eu só resistirei ao jugo⁶ alheio.
Fonte:

Luís de Camões, Os Lusíadas, edição de A. J. da Costa Pimpão, 5.ª ed., Lisboa, MNE-IC, 2003, pp. 98-99.

Notas:

1 refuse o pátrio Marte – recuse combater pela Pátria.2 Do grande Henriques [...] tiveram? – referência a um episódio que terá ocorrido em Arcos de Valdevez, nos princípios de 1128, quando D. Afonso Henriques invadiu a Galiza e derrotou o rei de Castela. Morreram inúmeros soldados castelhanos e foram aprisionados sete Condes e muitos outros cavaleiros.3 contino sopeados – continuamente subjugados.4 Rei novo – referência a D. João I, Mestre de Avis.5 Atai as mãos a vosso vão receio – ficai imóveis, prisioneiros do vosso medo.6 jugo – domínio; força repressiva.

Os textos que leu na Parte A e na Parte B desta prova apresentam o mesmo herói; todavia, a imagem que nos é transmitida não é exatamente a mesma.
Escreva uma breve exposição na qual compare esses textos quanto à representação de Nuno Álvares Pereira.
A sua exposição deve incluir:
• uma introdução ao tema;
• um desenvolvimento no qual explicite uma semelhança e uma diferença no modo como o herói é retratado em Os Lusíadas e em Mensagem;
• uma conclusão adequada ao desenvolvimento do tema.
Fonte: Exame Português - 2024, 1ª Fase
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