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Dificuldade: fácil
Parte A:
SONETO CIENTÍFICO A FINGIR
Dar o mote ao amor. Glosar o tema
tantas vezes que assuste o pensamento.
Se for antigo, seja. Mas é belo
e como a arte: nem útil nem moral.
Que me interessa que seja por soneto
em vez de verso ou linha devastada?
O soneto é antigo? Pois que seja:
também o mundo é e ainda existe.
Só não vejo vantagens pela rima.
Dir-me-ão que é limite: deixa ser.
Se me dobro de mais por ser mulher
[esta rimou, mas foi só por acaso]
Se me dobro de mais, dizia eu,
não consigo falar-me como devo,
ou seja, na mentira que é o verso,
ou seja, na mentira do que mostro.
E se é soneto coxo, não faz mal.
E se não tem tercetos, paciência:
dar o mote ao amor, glosar o tema,
e depois desviar. Isso é ciência!
Fonte:

Ana Luísa Amaral, O Olhar Diagonal das Coisas, Lisboa, Assírio & Alvim, 2022, p. 275.

Questão:
Nos versos 19 e 20, lê-se «dar o mote ao amor, glosar o tema, / e depois desviar. Isso é ciência!». Refira dois aspetos que, no poema apresentado, exemplifiquem a transgressão da tradição poética.
Fonte: Exame Português - 2023, Época Especial
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