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Dificuldade: por definir
Parte B:

Contexto:

Lê o poema de Fernando Pessoa e as notas.


O Mostrengo
O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu¹ ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
5 E disse, «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tetos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo,
«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas² que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso,
«Quem vem poder o que só eu posso,
15 Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse,
«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
20 Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes,
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
25 E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»
Fonte:

Fernando Pessoa, Mensagem e Outros Poemas sobre Portugal, edição de Fernando Cabral Martins e Richard Zenith, Porto, Assírio & Alvim, 2014, pp. 89-90.

Notas:

1 breu – escuridão. 2 quilhas – peças do fundo das embarcações.

Questão:
Relê a primeira estrofe do poema.
O que sente o homem do leme perante o mostrengo? Relaciona esse sentimento com três dos comportamentos do mostrengo.
Fonte: Exame Português 3º Ciclo - 2019, 2ª Fase

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